terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Despertar

Este é o nosso tempo—o tempo que foi dado a cada um de nós. Mas nos perdemos na semântica —o que é bom, mau, certo, errado. O que estamos esquecendo? Em toda parte, há alguém que faz um pedido, uma prece: “Faça isso acontecer. Me dê um trabalho melhor. Me dê uma vida melhor." Esquecemos aquilo que nos foi dado.

De algum modo, somos incapazes de ver o que está na nossa frente—a coisa mais bela, mais magnífica. Não há bênção maior do que o vaivém da respiração. Isso é o que temos. Tudo mais é mutável por sua própria natureza. Você quer que as coisas sejam boas e, quando elas são, quer que continuem assim. Mas isso não é possível. As coisas vão mudar.

Todo mundo gosta de falar do futuro. Alguém vê que você está se saindo bem e diz: "Você tem um futuro brilhante.” Quão brilhante pode ser seu futuro? Uma certeza quanto ao seu futuro é que você vai morrer. Todo mundo diz: "Vamos, depressa. Depressa." O que nos aguarda no fim? Nada. Apresse-se para encontrar nada. Mas isso é aceitável para nós. Por quê? Porque uma simples realidade vive sendo ignorada—a realidade de que você está vivo. Você é quem você é. E a cada dia que chega lhe é dada a oportunidade de reconhecer isso.

O sol se põe, seu corpo dorme. O sol se levanta de novo. Você desperta. Eis aí sua oportunidade para esquecer o passado e ocupar-se do presente, mas você não faz isso. Você vai dormir com as preocupações de ontem. É com isso que você dorme. Há quem se pergunte por que sua vida é tão infeliz. Olhe para a companhia que você tem. Sua companhia são as lembranças do passado.

A paz parece trivial agora porque você tem uma agenda cheia. Tem o mundo todo para cuidar—essas responsibilidades todas. Mas se você não cuidar da sua responsabilidade para com o coração, para que tudo isso? Seu coração também faz parte de você. Se você não usar seu coração—sua sabedoria interior—sua vida não será plena, não importa o que você faça.

Você é capaz de fazer isso? É capaz de ter consciência suficiente para entender a importância desta existência? É capaz de ter consciência suficiente para permitir que o coração se encha da gratidão que ele quer? Isso é tudo. Não há outras exigências. Tudo o que você tem a fazer é aceitar isso.

Essa é a dádiva. Entre as bilhões de coisas que poderiam ser, você é o que é. Poderia ser um centímetro mais alto ou mais baixo. Seu rosto poderia ser um pouco diferente, mas não é. Você é assim. Você aceita isso? Ou está investindo tudo no que não é? "Quero que seja desse jeito, quero que seja de outro jeito." Você investe em tudo aquilo que não é ou em tudo aquilo que é?

Desperte e abra os olhos para a bela realidade de estar vivo. Avalie cada momento com a importância da respiração de agora. Com a doçura, a beleza, o entendimento, a clareza do seu coração, dê os passos necessários em sua vida. E fique contente com a suprema alegria que está sempre dançando dentro de você. Deixe que isso se torne real para você. É um lindo processo porque a vida é em si uma bela jornada. Esteja pleno todos os dias. Isso é o que a vida promete: podemos ser plenos todos os dias.

Prem Rawat



Aquarelas de Sonia Madruga

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