segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A mais bela história

Quando reconhecemos a ânsia do coração para vivenciar a paz, diz Prem Rawat, a história mais bela começa a se desenrolar—a história do nosso "eu". Estamos vivos e, quando aceitamos esta existência como uma dádiva, diz ele, podemos nos sentir preenchidos. Leia um trecho ou faça o download da versão impressa http://tprf.org/newsletter/v2_i55/story_1.htm

A mais bela história



Hoje, gostaria de falar a respeito daquilo que temos - não do que poderia ser, não do que não é, mas daquilo que já temos. Muitos de nós preferiríamos ouvir falar de um sonho —como poderia ser, como algo poderia mudar. Mas falo da coisa mais preciosa que nem todo dinheiro do mundo poderia repor - sua vida. Vocês sabem como ver o valor do presente que lhes foi dado?

Antes de mais nada, é preciso fazer uma distinção, porque pegamos as coisas que acontecem na vida — nossos problemas, as coisas boas e más — misturamos tudo isso com a nossa existência e dizemos: "Esta é minha vida." Mas esse não é o modo de avaliarmos nossas vidas.

Temos uma necessidade. É uma necessidade, não um desejo. O desejo é um oceano que continuará mudando. Hoje, você quer um terno azul; amanhã vai querer um cinza. Como é que eu sei? Basta ver os anúncios publicitários: "Isso é o que você precisa, isso é o que você quer, é assim que deve ser." Todo mundo vem lhe dizendo isso ao longo da vida: "É assim que deveria ser, isso é o que você precisa, isso é o que você quer, é assim que é."

Do que você realmente precisa? Já é hora de fazer a pergunta vinda do seu próprio coração — aquela coisa que tem sido verdadeira para você desde a infância. Experimente-a você mesmo. Abdicamos da coisa mais importante que temos— a experiência. Lembre-se de quando você era pequeno e seus pais lhe diziam: "Não toque nisso, está quente". Isso não fazia sentido até você tocar e descobrir. Uma vida inteira de palestras não se equipara a um segundo de experiência. Muita gente fala de paz. Ou a gente vivencia a paz ou pensa sobre ela. O fato de pensar na água não mata a sede. É preciso beber a água.

O que significa conhecer a si mesmo? Conhecemos nossos amigos melhor do que a nós mesmos. Se você quer se conhecer, há um modo, e ele começa com o reconhecimento da sua existência, com o reconhecimento do seu coração, com o reconhecimento dessa possibilidade em sua vida.

Remova as lentes do bem e do mal. Veja o seu eu—e você verá a dádiva da existência. Tudo o que resta é realmente aceitar essa dádiva. Quando você começa a ver a realidade mais maravilhosa, mais preciosa, o seu coração começa a dançar.

Tudo o que você possa querer ou precisar está bem aqui. Não é o caso de perguntar se essa beleza está dentro de você ou não—está dentro de todo mundo. A única diferença é que há aqueles que vivenciam isso, aqueles em cuja vida isso se manifestou, e há aqueles em quem isso não se manifestou ainda.

O maior dos milagres está acontecendo neste momento chamado agora—você está vivo. Este momento tem a mais bela possibilidade: você pode se apaixonar pela respiração que entra em você e lhe traz vida, amor, compreensão, conforto, e tudo aquilo de que você possa precisar.

A mais bela história está se desenrolando, e é a sua história. Ninguém pode contar essa história. O pedido de seu coração é muito, muito simples: Esteja pleno. Esteja em alegria. Esteja em Paz.

Prem Rawat

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Aquarela de Sonia Madruga






domingo, 12 de dezembro de 2010

Pleno de alegria / Filled with Joy

Quando o coração está pleno de gratidão, é muito bom. Quando se entende e reconhece a prioridade da vida, é muito bom. Quando eu não me fio nem aposto no ontem, nem no amanhã, mas neste momento chamado agora, é muito, muito bom mesmo.

Quando entendo o infinito que reside dentro de mim, isso é muito, muito bom. Quando reconheço e entendo o significado da respiração que chega a mim, é muito, muito bom.

Quando vivo não nas trilhas formadas pelas crenças, mas na fundação; quando minha casa está construída sobre a fundação do saber – não das suposições, fórmulas e idéias, mas do saber – então é muito, muito bom.

Quando conheço o que reside dentro de mim – não quando acredito, penso ou desejo –, quando conheço o amigo interior, então é muito, muito bom mesmo.

É disso que se trata a vida. Preencha sua vida de prazer. Preencha sua vida de alegria.

When the heart is filled with gratitude, this is pleasant. When the priority of this life is understood and acknowledged, this is very pleasant. When I don’t bank and bet on yesterday, nor tomorrow, but I bank and bet on this moment called now, this is very, very pleasant.

When I have understood the infinite that resides within me, then this is very, very pleasant. When I acknowledge and understand the meaning of the breath that comes into me, then this is very, very pleasant. When I live not on those tracks that are formed by belief, but when I live on the foundation, when my house is built on the foundation of knowing—not suppositions and formulas and ideas, but knowing—then this is very, very pleasant.

When I know that that resides inside of me. When I know. Not believe. Not think. Not wish.

When I know the friend within, then this is very, very pleasant. This is what life is all about. Fill your life with the pleasant. Fill your life with joy.

Prem Rawat

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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Esse coração / This Heart

Seja leal ao seu coração.
O coração não vai lhe dizer para onde ir ou o que fazer. O coração não diz essas coisas. Ele não diz: "Eu quero me associar a isso" ou “Embarque nessa”. Não.

O coração diz apenas uma coisa: "Esteja pleno". Só isso.
Seja leal a ele. Seja leal a essa respiração que entra e sai de você, assim como ela é leal a você.


This Heart


Be loyal to this heart.
This heart will not tell you to go there or go there or go there or do this or do that. The heart doesn’t say these things. Heart doesn’t say, “I want to go and join this.” Heart doesn’t say, “Join that.” No.

Heart just says one thing, “Be fulfilled.” That’s all. Be loyal to that. Be loyal to this breath that comes in and out of you, as it is loyal to you.


Prem Rawat

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Aquarela de Sonia Madruga

A essência do infinito / The Essence of Infinite

Enquanto existimos e atuamos neste mundo, o que é, de fato, real? Existem as questões — todo mundo está rodeado de questões. Algumas são boas, outras más. Há boas notícias e más notícias: “Você foi promovido”, “Você foi demitido”. Num dia você compra um carro novo, no outro perde o seu carro novo. Hoje você é jovem, mas um dia esse mesmo ser vai se olhar no espelho e dizer: “Você está velho.”

Lembre-se disso. O mesmo ser que antes se olhava no espelho e dizia “Estou tão jovem”, “Estou muito bem”, vai se olhar no espelho um dia e proclamar: “Estou ficando velho”. Esse mesmo ser vai dizer: “Eu era tão jovem.” O mesmo espelho — espelho é espelho —, o mesmo ser.

Você não fica curioso para saber quem é este ser? Não fica curioso para entender sua verdadeira natureza? Não fica curioso para entender o reino da existência? As pessoas falam sobre liberação e eu me pergunto “O que é liberação?” Este corpo veio do pó. Foi daí que ele veio, desse simples elemento. E vai voltar para esse elemento e será reutilizado de novo e de novo. E assim continuamente.

E então as pessoas dizem: “Mas a alma, a sua essência vai voltar”. Minha essência não pode ser separada da essência do infinito. Elas são uma coisa só. É onde em mim reside o infinito. Este corpo é finito, e o que vive dentro desta casca finita é o infinito.

The Essence of Infinite

As we exist in this world, as we function in this world, what really exists? There are issues. Everybody is surrounded by issues. Good issues, bad issues, good news, bad news. “You have been promoted; you have been fired.” “You have just bought a new car; you have just lost a new car.” Today, you are young. And you look—the same self will look at the mirror and say, “Today, you are old.”

Remember this. It was you—the same self—looked in the mirror and said, “I am so young.” The same self looked in the mirror and said, “I look good.” The same self is going to look in the mirror and proclaim, “I’m getting old.” Same self is going to look in the mirror and say, “I used to be young.” Same mirror. Mirror is mirror. Same self.

So, are you not curious, what is this self? Are you not curious to understand your true nature? Are you not curious to understand what is this realm of existence? People talk about liberation, and I wonder. What liberation? This body comes from dust. This is what it came from. These simple elements. And it’ll go back to these elements and it’ll be re-used again and again and again. And again, and again, and again.

And then they go, “But the soul. Your essence will come back.” My essence cannot be separated from the essence of the infinite. It’s one and the same. This is where in me resides the infinite. This body is finite, and what lives inside this finite shell is infinite.

Prem Rawat

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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Onde é possível encontrar alegria

A quantidade dos problemas não aumenta nem diminui; os problemas apenas mudam de rosto. É como se os problemas não quisessem que a gente se aborrecesse com eles, então eles se reinventam de diversos modos para que nossa vida seja estimulante—com problemas.

Esta vida não se trata de lidar com os problemas. Esta vida tem a ver com sentir uma alegria verdadeira. A vida é a respeito de aceitar a alegria que lhe foi dada.

De uma olhada na sua vida. Para os outros, você sempre tem tempo. O tempo é um período que lhe foi dado. Foi dado, está armazenado e você o está usando. Não vai ter nem mais nem menos. Todo ele já lhe foi dado. Cabe a você escolher o modo de usá-lo.

Você não pode dar o seu tempo a ninguém. Como poderia? Mas você o desperdiça nos outros. "Vou fazer isso, vou fazer isso, vou fazer isso", e depois não sobra mais tempo para você mesmo.

O tempo é uma das coisas mais preciosas que existem. Não dá para comprá-lo, não dá para voltar atrás. É assim para todo mundo. Ninguém tem mais nem menos. As pessoas têm o que têm. Dividimos o tempo por conveniência, mas o tempo não é divisível. Não há dois momentos iguais. Essa é a singularidade do tempo.

O tempo é valioso e ele serve para nos inspirar todo dia. Neste tempo, volte-se para dentro com seu coração, não com sua mente. O pedido do coração é muito simples: “Esteja preenchido que eu lhe darei alegria e paz”. A mente diz: "Satisfaça-me que eu tentarei dar-lhe satisfação” —que você não terá. A natureza da mente é dizer "Agora tente isso; agora tente aquilo”. Compreenda essa natureza. Isso é bom ou mau? Apenas é o que é. O coração tem a ânsia de ser preenchido. Isso não é bom nem mau.

Entender isso é uma beleza, porque às vezes há dias que começam maus a partir do momento em que levantamos da cama. Lembre-se: "Isso é o que me foi dado—esta respiração, esta paz, esta alegria”. De repente, o pior dia se torna lindo. Não há julgamento. O certo e o errado são conceitos do mundo. A única coisa que é realmente certa é que estou vivo.

Estamos vivos. Isso é o que torna tudo tão empolgante. Este é o nosso tempo. Não é uma página da história; é o presente. Se todos os dias foram infelizes, hoje não precisa ser. O potencial está presente. Você está vivo, eu estou vivo—isso é o que constitui a magia. Estamos vivos, damos importância à vida. Isso é que é real.

No livro dos vivos, os heróis não são mencionados. Não há monumentos erguidos para eles. Mas você tem um coração. E com ele, enquanto viver, você pode sentir alegria. A alegria é a sua recompensa. A gratidão é a sua recompensa. A paz é a sua recompensa. Vá atrás disso.

Se quisermos paz na vida, poderemos ter. Se não quisermos, não temos que ter. O rio não puxa as pessoas para dentro dele, apenas flui. Quem quiser saciar a sede, pode faze-lo. Quem não quiser, pode deixar o rio correr. O rio segue seu caminho, sua jornada. O fato de que ele flui significa que há uma possibilidade. Tudo o que eu faço é apresentar essa possibilidade. Não se trata de converter as pessoas, trata-se de inverter. Trata-se de voltar-se para dentro. Há uma grande diferença entre as duas coisas, porque aquilo que procuramos está dentro de nós, é lá que podemos encontra-lo.

Prem Rawat



Aquarelas de Sonia Madruga

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A fibra da vida

Há uma paz dentro de cada um de nós, diz Maharaji, uma paz que é autêntica liberdade, beleza e alegria. Essa presença dentro de nós, diz ele, é a própria fibra de que somos feitos.

Leia um trecho em ingles e veja fotos ou faça o download da versão impressa http://tprf.org/newsletter/v2_i78/story_1.htm

A fibra da vida

Não faz muito tempo, fui a um funeral. No cemitério, havia aquelas pequenas lápides: “Aqui jaz. . .” Simplesmente precisei parar. Não se trata de uma lápide, mas de uma história. Há uma pessoa que esteve viva. Aconteceram coisas boas e coisas más. Houve dias difíceis e dias tranqüilos; dias de confusão e dias de clareza. Houve dias favoráveis para essa pessoa e dias de adversidade. Houve uma jornada.

Qual é a diferença entre mim e essa lápide? Sou mais do que uma lápide com um nome, algumas datas e umas poucas mensagens inscritas? A vida não é mais do que isso?

Não há essa coisa chamada existência que se ergue acima de tudo? Acima de tudo o que é bom e tudo o que é mau, do certo e do errado - de todos os julgamentos? Não há uma bondade em estarmos aqui? Não é especial que haja este momento em que estamos vivos? Em que medida eu reconheço este momento? Com o que estou preocupado hoje? Com as coisas que vão acontecer? Estou minimamente preocupado com algo que é mais fino do que o cabelo mais fino - que não pode ser mensurado em termos de largura, altura e peso - e é a única diferença entre mim e a lápide? Você sabe o que é? É a respiração que entra e sai de você. Essa é a diferença.

Não é possível fotografá-la, pintá-la, fazer uma estátua, não se pode dar, comprar, trocar nem vender. E faz toda a diferença quanto ao que você é. É porque ela vem que você é o senhor Fulano, senhora Fulana, senhorita Fulana, doutor Fulano, capitão Fulano, professor Fulano. É porque ela vem que você é capaz de entender, questionar, raciocinar, observar, aprender. Graças a essa dádiva chamada respiração.

As pessoas dizem “Sou pai, sou mãe." Você é um ser humano. Você é um ser humano. Não vemos seres humanos; vemos outras coisas. Estou falando da presença, da beleza que está dentro de você. Por meio da qual você tem tudo, sem a qual você não tem nada. Isso é real. Isso é simplicidade.

Há uma paz, sem a qual perderíamos a própria fibra de que somos feitos. Uma paz que dança no coração de todos. É dessa paz que eu falo. A realidade. A beleza. A verdadeira paz - não a ausência de algo, mas a própria presença de algo. Isso é que é possível, até mesmo em plena guerra. Uma paz que não pode ser perturbada. Essa paz é verdadeira. É uma paz que não pode ser tirada - essa liberdade é verdadeira.

Comece a reconhecer esta existência do modo mais simples possível - indo para dentro de você. Não a partir de idéias, mas do entendimento. Não mensurando com escalas de "eu não tenho", mas entendendo aquilo que você tem. O que você tem está bem aí dentro de você, e é tudo. Quero dizer tudo mesmo. E estará aí até o fim.

Para mim, esta é a minha oportunidade. Esta é a minha vez, a minha chance, porque estou vivo. Minha jornada continua, e eu aprendo. Sou grato por cada dia. É meu privilégio, minha alegria, minha honra, lembrar às pessoas... ir pelo mundo e falar às pessoas da possibilidade de estarmos em paz.

Prem Rawat

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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Felicidade / Happiness

Quando você diz "eu quero ser feliz", o que isso significa para você?

O que é felicidade? Quando não sou pego pelos ganchos do amanhã, nem sou atormentado pelo ontem; quando estou perdido e encontro aquela singularidade do momento chamado agora, onde experimento paixão sem ter uma definição do "por quê".

Quando estou apaixonado e preenchido de amor, mas não sei o nome do amante; quando entendo e não sei o que entendi; quando tenho uma resposta mas não sei a que pergunta ela pertence; quando estou pleno, quando estou pleno mas não sei o que é isso que me preenche e não importa, porque não tenho tempo.

Estou envolvido, fui totalmente tragado por este momento chamado "agora".

Happiness

When you say, “I want to be happy,” what does that mean to you?

What is happiness? When I’m not caught in the hooks of tomorrow, nor being tormented by the past, when I’m lost and found in that one singularity in the moment called now where I experience passion without having to every define “for what.”

When I am in love and I am filled with love, but I don’t know the lover’s name, when I understand but I don’t know what it is that I have understood, when I have an answer in my lap but I don’t know what question it belongs to, when I am full, when I am full and I don’t know what it is that fills me, and I don’t care because I have no time. I am enveloped, swallowed whole by that moment called “now”.

Prem Rawat

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Aquarelas de Sonia Madruga